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José GameiroSILVAPOR - Agricultura e Silvicultura, Lda.
«Estamos no top 10 das empresas nacionais de silvicultura»

A Silvapor - Agricultura e Silvicultura, Lda. foi fundada no ano de 1989. Situa-se na "Quinta da Devesa", junto à povoação da Senhora da Graça, freguesia e concelho de Idanha-a-Nova.

A empresa centra a sua atividade na área da silvicultura, construção, agricultura, espaços verdes, paisagismo, promoção, proteção, conservação rural e ambiental e comercialização de produtos relacionados.

Em entrevista, o gerente da Silvapor, José Gameiro.

Quais os desafios que enfrenta a Silvapor na gestão de recursos humanos?
Não temos problemas com a contratação de recursos humanos, contrariamente ao que acontece com muitas empresas. Tivemos de ultrapassar esse problema à nossa maneira, com alguns custos mas com sucesso nos resultados. Temos perto de 60 pessoas a trabalhar na empresa, e se precisarmos de mais 10 trabalhadores num curto espaço de tempo, conseguimo-los. Para isso, pagamos acima da média, de forma a fidelizar as pessoas que trabalham connosco. Isso permite garantir padrões de qualidade aos nossos clientes e faz com que tenhamos clientes por todo o país.

Quem são as pessoas contratadas?
Lamentavelmente, não conseguimos recrutar 60 pessoas no concelho de Idanha. Aliás, nem há pessoas do concelho de Idanha a pedir trabalho à Silvapor. Estamos a falar de mão-de-obra estrangeira, essencialmente. Essas pessoas estão disponíveis para trabalhar e deslocam-se para onde a empresa tem trabalho. Em 2004 ou 2005, tivemos de refletir sobre o futuro da Silvapor. Ou mantínhamos a empresa mais pequena, com cerca de 10 trabalhadores, recrutando aqui as pessoas e desenvolvendo atividade no concelho de Idanha, Penamacor e Castelo Branco; ou crescíamos e recrutávamos pessoas disponíveis para acompanhar a expansão da empresa.

Por que tiveram de recorrer a pessoas de fora?
As pessoas da região não têm a disponibilidade de mobilidade que nós precisamos.

Não costumam recorrer ao Instituto de Emprego?
Não recorro ao Instituto de Emprego. Fi-lo uma vez e não penso repetir. Tive más experiências. Quando precisamos de mais pessoas, prefiro optar por recomendações de elementos da empresa, que são da minha confiança.

É a Silvapor que dá formação aos trabalhadores que recruta?
A formação de obra somos nós quem a damos. E sempre que necessário recorremos a formações da Associação Empresarial da Beira Baixa, desde higiene e segurança no trabalho, fitofarmacêuticos, primeiros-socorros, etc.

A remuneração acima da média e a formação são as estratégias que permitiram o crescimento da Silvapor?
Sim. Só conseguimos recrutar pessoas com dinheiro, porque elas podem gostar muito do trabalho que fazem, mas têm que ter dinheiro no bolso. Foi assim que ultrapassámos o desafio do crescimento, porque de outra forma não conseguíamos. Estaríamos reduzidos a um território muito pequeno. Hoje temos obras de norte a sul do país, no interior e no litoral. Estamos organizados em equipas autónomas que estão alojadas num determinado sítio, às quais damos assistência técnica.

Para além da disponibilidade que outros aspetos valorizam nos trabalhadores?
Alguma robustez física porque as funções são duras, implicam trabalho com motosserra.

Que conselhos daria a quem procura emprego no concelho de Idanha-a-Nova?
O que me atrevo a dizer é que se querem trabalhar, há algum trabalho. Emprego é um bocado difícil. Tenho alguma dificuldade em falar disso, porque posso dar a impressão de que me esqueci do que já passei. Posso dizer que o meu início de atividade na silvicultura foi como motorista de pesados e hoje tenho esta empresa. A Silvapor está no top 10 das empresas nacionais de silvicultura. O programa Recomeçar [do Município de Idanha-a-Nova] parece-me bem, mas carece de um alicerce muito importante: ver primeiro o que existe no território, que empresas temos, quais estão em fase de crescimento, quais têm potencial. É preciso ver o que faz falta para os projetos instalados ou a instalar no concelho.

Do conhecimento que tem como empresário, que leitura faz da atitude das empresas e dirigentes da região?
Acima de tudo, acho que enquanto não houver uma rede entre todos, vai ser sempre mais difícil. Não nos devemos importar de partilhar aquilo que são as nossas empresas, uns com os outros. Temos um território que precisa de união entre as empresas e os municípios.

Que conselhos daria a uma empresa que se queira instalar aqui?
Não sei se consigo dar conselhos a uma empresa que venha para Idanha. Teria de saber que tipo de empresa é, que expectativas tem, o que precisa deste concelho e, sobretudo, o porquê de vir para cá. Será só porque lhe falaram bem? Será que vai produzir um produto que tem aqui melhores condições? Será que é para estar mais próxima de canais de distribuição? Será porque se cansou da cidade e agora quer vir para o campo? Depois de tudo isto, é possível analisar. Uma coisa é certa, num território como este a aposta tem de ser sobretudo na terra, no agroflorestal e na silvopastorícia.