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Beira Salgados
As empadas de Idanha que estão a conquistar o país

Beira SalgadosDe frango, leitão, alheira, pato, bacalhau, vegetariana ou beirã… as divinais empadas da Beira Salgados conquistam paladares de todo o país. Coroadas em 2013 com o galardão “Sabor do Ano”, são hoje uma das melhores iguarias produzidas em Idanha-a-Nova. Nuno Dias, gerente e fundador, abre-nos as portas da empresa.

A Beira Salgados nasce em 2002, a partir de uma tradição do concelho de Idanha-a-Nova. Como foram os primeiros passos?
Havia uma senhora, na freguesia do Ladoeiro, que tinha uma pequena indústria de empadas. Eram muito boas e um dia, por curiosidade, pedi-lhe para me ensinar essa arte. Não tinha experiência ou formação na área, mas na altura estava desempregado e arrisquei neste negócio. Começámos então a procurar potenciais clientes.

E o negócio foi crescendo...
O crescimento acabou por ser natural, em sintonia com o aumento da procura do produto. Construi uma primeira indústria em Idanha-a-Nova, com um cunhado. Investimos numa fábrica que nos permitiu dar um salto quantitativo e qualitativo. O investimento foi baixo, mas na altura conseguimos dar emprego a quatro pessoas.

Hoje quantas pessoas emprega a Beira Salgados?
Temos 22 postos de trabalho, na produção alimentar e na parte do escritório. A partir do momento em que encontrámos distribuidores, isso permitiu-nos aumentar significativamente o volume de negócio e, com isso, o número de colaboradores.

Um dos fatores do sucesso é a qualidade das empadas. Em 2013 conquistaram a distinção de “Sabor do Ano”. Como foi receber esse galardão?
Foi uma distinção importante para a Beira Salgados. Uma entidade deu a provar vários produtos junto dos consumidores e as pessoas preencheram um questionário onde avaliaram esses mesmos produtos. Fomos considerados “Sabor do Ano”.

E a seguir?
Entretanto tínhamos um pré-contrato com uma grande cadeia de distribuição, mas as condições da fábrica estavam obsoletas. Com o apoio da Câmara de Idanha-a-Nova, então presidida pelo Eng.º Álvaro Rocha, conseguimos criar condições para construir uma fábrica de raiz, comprometendo-nos a criar mais 8 postos de trabalho, subindo para 15 colaboradores. Conseguimos entrar nesse grande grupo (o LIDL) e hoje damos emprego a 22 de pessoas. A tendência é para continuarmos a crescer.

Quais são os desafios que se colocam na gestão de recursos humanos?
A nossa região tem um défice de mão-de-obra qualificada. Ainda assim, por princípio, toda a mão-de-obra que temos contratado até hoje é da nossa região. Nos departamentos de produção, embalagem e cozinha todos os funcionários são do concelho de Idanha-a-Nova. São 19 pessoas ao todo. Os dois quadros superiores da empresa também são da região, nomeadamente uma engenheira alimentar de Alcains e, na parte financeira, um jovem que tirou o curso em Idanha-a-Nova, na Escola Superior de Gestão. Dar primazia às pessoas da região é uma prioridade nossa.

Qual é o perfil de pessoas que procuram?
Este é um trabalho que se aprende com o tempo. A empresa dá esse tempo para que as pessoas aprendam a cumprir as suas funções corretamente. Valorizamos também aspetos como a lealdade para com a empresa e a vontade de trabalhar.

Os vossos colaboradores são, certamente, decisivos no crescimento da Beira Salgados. Que estratégias utilizam para os recrutar e segurar na empresa?
Trabalhamos como uma equipa. O departamento de gestão da Beira Salgados faz questão de comunicar sempre internamente as vitórias da empresa, as dificuldades e os desafios com que nos deparamos. Procuramos envolver todos os colaboradores nos projetos da empresa. É uma atitude que tem dado frutos – a maioria das pessoas veste a camisola.

EmpadasE um desses desafios é continuar a crescer...
Temos uma capacidade de produção, num turno, de cerca de 30 mil empadas. Neste momento estamos a produzir perto de 22 ou 23 mil empadas por dia. Estamos a considerar implementar um segundo turno. Depende de contratos que possam surgir.

E a internacionalização?
Já temos clientes internacionais. E continuamos a dar passos, curtos mas seguros, para reforçar a internacionalização. Temos o cuidado de colaborar na prossecução de estratégias comuns com autarquias, associações empresariais e agroindustriais e instituições de ensino.

Que conselhos daria a empresários interessados num negócio no concelho?
Antes de mais, quem vier para o concelho de Idanha ou o distrito de Castelo Branco tem de ter consciência para onde vem. Estar aqui tem coisas muito boas e coisas más, nomeadamente a distância aos grandes centros urbanos, o acesso a mão-de-obra ou a assistência especializada em caso de avarias. Coisas boas são, por exemplo, o apoio das autarquias locais e o custo dos terrenos, que são muito mais baratos. É muito importante falar de preços concretos às empresas, para que percebam a diferença entre estar em Idanha-a-Nova e noutros sítios.

Há áreas com maior apetência no concelho?
Acho que tudo o que seja empresas de serviços é mais complicado… Agora no sector industrial, tanto se produzem parafusos no Porto como em Idanha. Devemos, no fundo, aproveitar o bom que nós temos para ajudar as pessoas a descobrir oportunidades. Há muito onde trabalhar e ganhar dinheiro, se as pessoas não tiverem receio de arriscar. O importante é que as pessoas venham para Idanha com uma estratégia e um objetivo definidos para que possam ser felizes aqui.